quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Vida tão estranha



Esta música é simplesmente sublime!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Convencidos da vida - uma coisa em forma de assim

Já dizia Alexandre O'Neill, quando se referia aos "convencidos da vida", por vezes sou obrigado a escutá-los... convictos da sua excelência, da excelência das suas obras ...

Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida, da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ponte entre a 3ª e 5ª dimensão

Era já muito tarde, 3 ou 4 horas da manhã (aqui as horas tornam-se irrelevantes, ou não), conduzia a uma velocidade muito reduzida. Estava tão cansada! Sem vontade alguma de ir para casa ... por breves momentos transportei-me para o filme "As Horas" em que Virginia Woolf caminhava lentamente em direcção ao lago...
Na ponte não havia ninguém (nem no sentido Alcochete/Lisboa, nem o inverso), ... ouvia-se apenas o silêncio da noite... fui convidada a parar (já dizia o ditado português: a ocasião faz o ladrão), e quase aceitei, e por rasgo momento, pensei "vou saltar da ponte" conhecer finalmente para lá da 4.ª dimensão é algo tentador, pensamento surge rápido, mas também foi-se rápido. Não penso, ainda, passar a 4ª dimensão, foi apenas um pensamento tentador, ... Agora entendo, o que acontece a muitos (avô, tia, primo e outros que desconheço).... aceitam o convite!

pergunto-me: será essa a minha casa?! as respostas estarão na 5ª dimensão?...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Percorrendo o deserto....


Atravesso o deserto, não sei para onde vou, sinto que errei a porta!
Dispo-me. já não sei quem sou. Caminho em silêncio. Espero por respostas. Não encontro ninguém. Longa é a caminhada. Abrigo-mo numa riqueza que permanece escondida. Oiço uma voz (a voz do deserto) sigo-a. Subi uma duna, e mais uma, e outra e outra, a voz agora mais próxima e perceptível, diz: satyagraha. Alvejo alguém, aproximo-me, está sentado de costas para mim. Convida-me a sentar. Eu aceito. Lado a lado, observamos o horizonte, sem nunca cruzarmos o olhar. Não foram feitas apresentações, não foi necessário, as horas são escassas,... Gandhi disse: "A violência é criada por desigualdade, a não violência pela igualdade, não te esqueças que o silêncio pode ser também um acto de extrema violência" e acrescenta "não desistas mesmo que penses que a tua voz possa não ser entendida, procura encontrar a tua paz, em ti, não nos outros...".
Surge novamente o silêncio. Levanto-me com intuito de continuar a minha caminhada. Momentos de reflexão,.... oiço novamente a palavra "satyagraha". E penso, sempre procurei a verdade, no entanto quando sou confrontada pela mesma, a de outros não a minha, não sei se a quero. É cruel, angustiante,...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Tornar a mente BUDA



A caminho da meditação!
Torna-se imperativo encontrar paz sem recorrer a químicos. Devido a um pequeno acidente, obrigou-me o destino, ficar presa em casa nestes últimos dias.
Não posso de maneira alguma ignorar tais sinais. A mente galopa a velocidades estonteantes, sem que me aperceba que é imperativo parar um pouco.
Sempre em busca de respostas, frustrada por não conseguir resultados, pensar que dois anos de tratamento e continuo ansiosa, ainda com ataques de pânico, mente irrequieta, sempre insatisfeita, sempre com mil e uma coisas por fazer.

Ontem, tropecei no site da União Budista Portuguesa, e foi precisamente ontem, que iniciavam o curso "Introdução à Meditação Budista". Telefonei a uma hora do curso, consegui que aceitassem a minha inscrição. Um pouco condicionada, pois apenas conseguia conduzir com a mão esquerda, enfim,... outra aventura,.. cheguei bem, sã e salva.

Ensinou-me vida, a não criar muitas expectativas nas coisas e nas pessoas, por isso levei comigo poucas,... apenas posso dizer que para primeira experiência foi um misto de sensações, por vezes com vontade de fugir, por outro lado, uma enorme curiosidade em aprofundar esta filosofia, transmitida por um excelente orador (Paulo Borges), presidente da união budista. De facto tudo o que dizia fazia para mim sentido,.. talvez seja este o caminho... veremos...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Guitarra clássica

A guitarra teve a sua origem, provavelmente, no Egipto à 3000 anos atrás. Pensa-se que é um instrumento dos antigos Alúdes e das Vihuelas. A guitarra espalhou-se rápidamente por vários países da Europa, mas foi em Espanha, Andaluzia, que a guitarra atingiu grande popularidade. E foi também aqui que se desenvolveu a arte de construir guitarras.
A guitarra clássica, também conhecida por violão, ou Spanish Guitar em inglês (em Portugal a denominação mais comum é viola, embora até meados dp século XX também fosse violão, é uma guitarra acústica com cordas de nylon, mas há violões com outra configuarções, como o violão de 7 cordas e o vilão baixo, com 4 cordas, afinadas uma oitava abaixo das 4 cordas mais graves do violão.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

16 de Maio de 2009

Dia comemorável,... após dois longos anos de medicação, com algumas recaídas,... dei por findo um processo complicado da minha vida... brindou comigo uma grande amiga, Clara Soares. Após feira do livro fomos almoçar ao Espelho d' Água, entre conversas soltas, em volta de assuntos da actualidade, e temas mais abstractos, como a verdade, amizade e integridade...

Feira do livro - Lisboa 2009

Ontem, fui à feira do livro, e, como boa portuguesa que sou, fui no último dia!!!

Levei comigo um post-it com os livros que queria comprar (Reencontro de Agostinho da Silva de José Flórido e Gandhi - Poder, Parceria e Resistência de Varma Ravindra), no post-it para além do título, continha a referência, a editora, e o respectivo stand, ... para quem me conhece sabe que tenho "fobia" a multidões, o que me cria uma certa ansiedade... ficando com uma enorme vontade de fugir... Quando lá cheguei, fiquei muito agradada, não havia confusão, nem muito ruído, nem crianças com birras,... comecei na praça Leya, e por ali fiquei, ao som da música do Jack Johnson,... senti-me tranquila,... foi muito agradável... enfim...

...acabei por comprar os seguintes livros:

- Lições do Abismo de Daniel Sampaio
Género: Não-ficção/Psicologia/Psiquiatria;

- O Jogo das Contas de Vidro de Hermann Hesse
Género: Romance.

- Verdade ao Amanhecer de Ernest Hemingway;
Género: Romance.

- Como Tornar-se um Doente Mental de José Pio Abreu;
José Luis Pio Abreu, Psiquiatra do Hospital da Universidade de Coimbra

- Os Dez Mandamentos no Séc. XXI de Fernando Savater;

- Sinais do Medo de Ana Zanatti.

sábado, 14 de março de 2009

Chuang Tzu

O objetivo de uma armadilha de peixes é "caçar" peixes; quando estes caem na armadilha, esta é esquecida.
O objetivo de uma armadilha para coelhos é "caçar" coelhos; quando estes são agarrados, esquece-se a armadilha.
O objetivo das palavras é transmitir as idéias. Quando estas são apreendidas, as palavras são esquecidas.
Onde poderei encontrar alguém que se esqueceu das palavras? É com ele que gostaria de conversar.

quinta-feira, 5 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

sossega-me

sossega-me,...
como poderei eu partir? se te sinto em mim...
sinto-me a deambular, ... vagueando nos teus olhos, procuro-te
onde estás?...
vem,... para perto de mim
sossega-me,...
conto-te estórias ao ouvido, tu sorris...
que desassossego,
vagueio pelo teu corpo, ... sensações orgásmicas...
sossega-me nas madrugadas...
ai, ai, ai

"O coração, se pudesse pensar, pararia."


"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelida a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."

Translucidez, Nudez e Desacorde


Translucidez Lúcido como o fio de uma navalha
atravesso a rua no instante exato.
A vida em volta me atordoa.
Esta correria, este zumbido, este medo – é isto a vida?
Lúcido, me perco,reparto-me em calçadas, andares, repartições, sobrelojas,
me esqueço, deixo de ser-me: sou todos, nada.
Lúcido — como suportar?
A vida em volta me atordoa, me machuca, me mastiga, …


Otto Leopoldo Winck

terça-feira, 3 de março de 2009

fingir que está tudo bem

fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

josé luís peixoto

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"Reencontro" 19 de Fevereiro de 2009

Nas viagens de muitas vidas, ganham-se experiências e aprendizagem do amor;
perdem-se, temporariamente, presenças amigas.

A vida é eterna...

Noites e dias sucedendo-se pelo infinito...

Certas dores existenciais indefinidas... consequências de afastamentos de amor, afastamentos de tempo equivalente a uma ou mais vidas, parecendo, por isso, eternos... ainda que temporários.

Uma força de energia interior inexplicável revela amizade, de tempo remoto, reencontrada;
emoção indefinida, quase ilógica, mas tão forte, feito o mar banhando as rochas, com energia, suavidade e inconsciência, sob cor dourada, de inteira beleza, criada pelo sol ao entardecer.

Uma certeza íntima inteligível, a prova de um "reencontro", sensação opondo-se à razão, mas impondo-se feito raios solares, que a despeito da noite, invade-nos com inteira alegria reluzente, num renascer em límpida manhã de vida.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Outras feridas


traços de répteis incandescentes pelas dunas, hastes quebradas, excrementos geométricos sinalizando com rigor apertados caminhos
areias de cor indecisa
são bons estes lugares de cinza, para a solidão insuspeita dos pássaros

da boca das areias desmoroando-se irrompem
fosforosos bichos, adocicados corpos, um rosto de fogo encima o leite vagaroso das nuvens
depois, ouvem-se os nomes dos barcos
e do vento uma voz explode, fende, desfaz a tempestade
teu corpo acalma por cima do misterioso espelho

mão na mão, percorremos todas as águas
conhecemos os domínios húmidos dos monstros marinhos
e a loucura dos peixes cegos, que deu nome ao nosso amor e às cidades costeiras
outras feridas alastram subitamente no fulcro da memória
outras noites atravessam-se
semeiam pelo corpo flores e pânico
falo com os barcos postos-a-seco, das salivas marinhas cresce uma quilha enfurecida
a escrita é um marulhar incessante
imito a paisagem como se te imitasse, ou se te escrevesse

teu corpo dilui-se nos ossos da página, contamina as cartilagens das sílabas
resta-me o fingimento sibilante das palavras
caminho pelo interior das dunas, aago o rasto de tinta acetinada, sou terra num texto onde não encontro água
só noite e um rumor imperceptível no coração
mais nada


Al Berto - O Medo

Não, não é cansaço...


Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se descobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.


Álvaro de Campos - Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Franz Kafka vs Praga

"Praga não vai largar-nos. Nem a mim nem a ti. Esta mãezinha tem as suas garras afiadas. É preciso sujeitarmo-nos senão... Devíamos lançar fogo aos seus dois extremos, o Vysehrad e o Hradsechin, e talvez pudéssemos então partir. Pensa nisso daqui até ao Carnaval."

Franz Kafka,

20 de Dezembro de 1902, carta a Oskar Pollak.

A Metamorfose, O Processo, A Colónia Penal, O Castelo... Os escritos de Kafka referem-se a um mundo em que a liberdade se pagava a alto preço. Que é feito desse mundo? Da Praga dos anos de 1910-1921, checa, alemã, judaica, que a pouco e pouco se foi libertando de quatro séculos de dominação austríaca? Quem, entre gente de carne e osso e génios literários, terá instilado em Kakfa aquela trágica coerência que caracteriza a sua obra? Ele foi, sucessivamente, Georg Bendemann, Gregor Samsa, Josef K. e K., o Agrimessor, incorporando-se em cada uma das suas personagens, em contante mutação, sem jamais deixar de ser igual a si mesmo.