terça-feira, 30 de dezembro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Outras feridas
traços de répteis incandescentes pelas dunas, hastes quebradas, excrementos geométricos sinalizando com rigor apertados caminhos
areias de cor indecisa
são bons estes lugares de cinza, para a solidão insuspeita dos pássaros
da boca das areias desmoroando-se irrompem
fosforosos bichos, adocicados corpos, um rosto de fogo encima o leite vagaroso das nuvens
depois, ouvem-se os nomes dos barcos
e do vento uma voz explode, fende, desfaz a tempestade
teu corpo acalma por cima do misterioso espelho
mão na mão, percorremos todas as águas
conhecemos os domínios húmidos dos monstros marinhos
e a loucura dos peixes cegos, que deu nome ao nosso amor e às cidades costeiras
outras feridas alastram subitamente no fulcro da memória
outras noites atravessam-se
semeiam pelo corpo flores e pânico
falo com os barcos postos-a-seco, das salivas marinhas cresce uma quilha enfurecida
a escrita é um marulhar incessante
imito a paisagem como se te imitasse, ou se te escrevesse
teu corpo dilui-se nos ossos da página, contamina as cartilagens das sílabas
resta-me o fingimento sibilante das palavras
caminho pelo interior das dunas, aago o rasto de tinta acetinada, sou terra num texto onde não encontro água
só noite e um rumor imperceptível no coração
mais nada
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se descobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Franz Kafka vs Praga
"Praga não vai largar-nos. Nem a mim nem a ti. Esta mãezinha tem as suas garras afiadas. É preciso sujeitarmo-nos senão... Devíamos lançar fogo aos seus dois extremos, o Vysehrad e o Hradsechin, e talvez pudéssemos então partir. Pensa nisso daqui até ao Carnaval."
Franz Kafka,
20 de Dezembro de 1902, carta a Oskar Pollak.
A Metamorfose, O Processo, A Colónia Penal, O Castelo... Os escritos de Kafka referem-se a um mundo em que a liberdade se pagava a alto preço. Que é feito desse mundo? Da Praga dos anos de 1910-1921, checa, alemã, judaica, que a pouco e pouco se foi libertando de quatro séculos de dominação austríaca? Quem, entre gente de carne e osso e génios literários, terá instilado em Kakfa aquela trágica coerência que caracteriza a sua obra? Ele foi, sucessivamente, Georg Bendemann, Gregor Samsa, Josef K. e K., o Agrimessor, incorporando-se em cada uma das suas personagens, em contante mutação, sem jamais deixar de ser igual a si mesmo.
domingo, 4 de novembro de 2007
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
sexta-feira, 27 de julho de 2007
A minha querida Canela
sexta-feira, 6 de julho de 2007
SNBA - A tela inacabada: INSÓNIAS
Esta é a tela, a tal, a inacabada. Se a tivesse terminado, possívelmente estaria a esta hora na exposta no salão da SNBA.
SNBA - A inauguração da exposição
domingo, 1 de julho de 2007
Sei que estás a sofrer
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Amar-te-ei para sempre meu amor
E tudo o que menos precisas é de uma pessoa assim a teu lado....
Não consegui terminar a tela a tempo, a exposição será no dia 3, e, nada fiz. Odeio-me. Faço tudo mal.
terça-feira, 19 de junho de 2007
"Morreste-me"
Para quem conhece José Luis Peixoto, sabe que "Morreste-me", trata-se do livro em homenagem ao seu falecido pai.
E, no final, sem pronunciar quase palavra, "disse": "Morreste-me": "- obrigada por me dares a conhecer este autor, é realmente muito bom. Li-o na hora H". (18.06.07)
domingo, 17 de junho de 2007
Quando o inverno chegar
A meio do Outono, encontramos três homens num Sanatório para doentes com doenças respiratórias, nas montanhas. Na realidade, acaba por ser um lugar onde homens de famílias ricas e abastadas são deixados pela família. Existe ali um cemitério (testemunho físico daqueles que nunca chegaram a sair dali), um jardim e a floresta.Durante o inverno, os homens – trata-se de um sanatório exclusivamente masculino – são obrigados pelas regras do local, estritamente mantidas por freiras, a permanecer dentro de casa. Durante temporadas aborrecem-se de morte naquele local e fantasiam bastante sobre a sua vida passada e futura longe dali. Quando o tempo melhora, podem finalmente passear pela floresta.
Paralelamente à melhoria do tempo, observamos a vida de Lena que, há varias semanas, caminha pela floresta em busca do seu marido que ela julga desaparecido, mas que rapidamente nos apercebemos que fugiu dela. Lena é destemida. Só essa coragem quase inumana explica que se tenha posto a caminho, no fim da gravidez, sem certezas, procurando o marido (Lucas) na montanha. Ao fim de várias semanas de estrada, desesperada, Lena irá tentar enforcar-se na floresta. Lena não quer pôr aquela criança no mundo sem um pai. Os três homens do sanatório irão salvá-la.
Os homens vão tomar conta desta rapariga e escondê-la numa estufa abandonada. Ao
mesmo tempo, vão redescobrir a vida de que, lentamente, desistiram e vão redescobrir os seus próprios sentimentos, coragem e verdade. Desta forma, a personalidade dos três homens e de Lena acaba por revelar-se para lá da superfície mais imediata. Ficamos a conhecer os seus segredos, as suas forças e as suas fraquezas.
Ficha artística
Texto José Luis Peixoto
Encenação Marco Martins
Dramaturgia Marco Martins, Nuno Lopes, Beatriz Batarda, Dinarte Branco, Gonçalo Waddington
Música original Pedro Moreira
Direcção Musical Pedro Moreira
Cenografia João Mendes Ribeiro
Figurinos Adriana Molder
Desenho Luz Nuno Meira
Voz e Elocução Luís Madureira
Interpretação Beatriz Batarda, Dinarte Branco, Gonçalo Waddington, Nuno Lopes
Músicos
Carla Simões voz
Andreia Marques /Ana Isabel Dias harpa
Luís Gomes / Ana Rita Pratas clarinete baixo
Otto Pereira / Liviu Scripcaru violino
Paulo Pacheco piano
Pedro Moreira saxofone
Fotografia André Príncipe
quarta-feira, 25 de abril de 2007
SNBA - "As minhas aulas de pintura" - Modelo nú.
quinta-feira, 29 de março de 2007
"Dúvida" de John Patrick Shanley

Em cena no teatro Maria de Matos.
Interpretado por Eunice Muñoz, Diogo Infante, Isabel Abreu e Lucília Raimundo.
No cenário de uma igreja e uma escola católicas, em 1964, um padre (Diogo Infante) é acusado de assediar uma criança de 12 anos. A madre superiora (Eunice Muñoz) acusa-o. Será ele culpado? O que fazer quando não se tem a certeza? Uma parábola sobre a dúvida, a que se refere o título, num tema tratado através de um motivo de grande actualidade.
Simplesmente brilhante!!
quinta-feira, 22 de março de 2007
A Tragédia de Júlio César de William Shakespeare
Sinopse
"O povo deseja coroar Júlio César imperador. Nasce a conspiração. Cássio a Casca convencem Bruto a unir-se a eles a fim de o assassinar. Bruto ama César, contudo o amor que sente por Roma é muito maior, deixando-se convencer, e no dia fatídico dos idos de Março participa no assassinato do general do senado. Marco António, jovem protegido de César, depois de um breve discurso de Bruto junto do cadáver crivado de punhais, pronuncia a sua oração fúnebre e, graças à sua habilidade retórica, levanta as massas populares contra os conjurados que são obrigados a fugir. Marco António, unindo-se a Octávio e Lépido, desencadeia a guerra civil. Na noite anterior à batalha final, o fantasma de César aparece a Bruto e no dia seguinte Cássio e Bruto, vendo-se vencidos, suicidam-se. Octávio e Marco António tomam o poder fazendo justiça à memória de Bruto e reconhecendo nele um justo.
A tragédia de Shakespeare fala de tirania, da cegueira do povo, das sangrentas lutas pelo poder, de vida privada e responsabilidade pública, de paz e de guerra, fala de política e da imensa tensão entre política e moral. Com estas peripécias de uma Roma antiga fantasiada pelo princípio do século XVII, devolve aos espectadores de hoje os jogos políticos de sempre, mas desenha uma visão do Homem e do poder político com valores que o nosso tempo já esqueceu".
Relativamente à encenação, apenas faço aqui dois reparos, o primeiro deve-se às quase quatro horas de duração, (mas quem conhece W. Shakespeare, sabe que assim é), apesar das cadeiras do teatro São Luiz serem razoavelmente confortáveis, já não sabia como havia de estar, ora virava para a esquerda, ora para a direita, ora subia da cadeira, ora descia. O segundo reparo, consequência do cansaço físico, faço-o pelo cansaço emocional. Na última parte da peça, houve algumas partes mortas, apesar das muitas mortes, mas não senti grande dinamismo.
Tudo o resto, apenas ADOREI, por isso o meu muito OBRIGADA!!!



