O título deste post "Caritas in veritate" traduz-se na última encíclica (documento pontifício dirigido aos bispos de todo o mundo, e, por meio deles, a todos os fiéis) escrita pelo sumo pontífice Bento XVI, sobre o desenvolvimento humano na caridade e na verdade.
Em todo o documento, Sua Excelência, o Papa Bento XVI, utiliza frequentemente palavras como: caridade, justiça e bem comum.
A visita de Bento XVI a Portugal, ajudar-nos-á à reflexão?
Que se passa connosco?!
Em todo o percurso que fiz hoje pela manhã apenas ouvia palavras de desagrado, de mediocridade, de ignorância. É certo que considerava Sua Santidade João Paulo II um ser mais carismático, mais simpático, mas custa-me ouvir certos comentários. Considero-me agnóstica mas não me imagino proferir certas palavras que certos seres utilizam. Apenas gosto de me questionar.
Será que as pessoas já não se questionam?
Ontem em todos os canais nacionais, sentia-se uma euforia, apenas porque um clube de futebol tinha ganho um qualquer título.
Que foi feito da Caridade, da bondade, do respeito?! Que se passa connosco?! Seremos assim tão ignorantes?!
Sinceramente, sinto-me envergonhada!
terça-feira, 11 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
Albert Einstein: Deus e o mal
Deus existe! por Albert Einstein
Convite à reflexão sobre os nossos paradigmas.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
170º aniversário de Tchaikovsky
Comemora-se hoje o 170º aniversário do grande Tchaikovsky (1840-1893).
Tchaikovsky foi o primeiro compositor russo a dar a conhecer o seu trabalho ao público dos países estrangeiros. Os laços fortes com a Europa e os Estados Unidos da América era algo incomum para os russos.
Das suas obras destacam-se os bailados “O Lago dos Cisnes”, “A Bela Adormecida” e “O Quebra-Nozes"(vídeo abaixo)”, a ópera “Eugénio Oneguine”, as 4ª, 5ª e 6ª sinfonias, o Concerto nº 1 para Piano e o Concerto para Violino.
Faleceu a 6 de Novembro de 1893 e foi sepultado num dos cemitérios do Mosteiro de Alexander Nevsky (onde estão enterrados Fiódor Dostoiévski, Arthur Rubinstein, entre outros).
Tchaikovsky foi o primeiro compositor russo a dar a conhecer o seu trabalho ao público dos países estrangeiros. Os laços fortes com a Europa e os Estados Unidos da América era algo incomum para os russos.
Das suas obras destacam-se os bailados “O Lago dos Cisnes”, “A Bela Adormecida” e “O Quebra-Nozes"(vídeo abaixo)”, a ópera “Eugénio Oneguine”, as 4ª, 5ª e 6ª sinfonias, o Concerto nº 1 para Piano e o Concerto para Violino.
Faleceu a 6 de Novembro de 1893 e foi sepultado num dos cemitérios do Mosteiro de Alexander Nevsky (onde estão enterrados Fiódor Dostoiévski, Arthur Rubinstein, entre outros).
E Lucevan Le Stelle
Lindíssima ária da ópera Tosca (Act III) de Puccini. Cantada pelo mais célebre casal da ópera contemporânea, a soprano Angela Gheorghiu e o tenor Roberto Alagna. Por saber que a adoras, dedico-ta meu amor.
E lucevan le stelle
ed olezzava la terra.
Stridea l'uscio dell'orto
e un passo sfiorava la rena.
Entrava ella fragrante
mi cadea fra le braccia.
Oh dolci baci, o languide carezze,
mentr'io fremente
le belle forme
disciogliea dai veli.
Svani per sempre
il sogno mio d'amore.
L'ora é fuggita
e muoio disperato,
e muoio disperato.
E non ho amato
mai tanto la vita.
Tanto la vita!
domingo, 2 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Rach 3 - Rachmaninov por David Helfgott
Após uma longa semana de muito trabalho e stress nada como iniciar o fim-de-semana com um bom filme. A escolha foi "Shine - simplesmente genial". O filme retrata a vida do pianista David Helfgott interpretado pelo excelente actor Geoffrey Rush. A cena no filme que mais me impressionou foi quando Helfgott tocou Rach n.º 3 de Rachmaninoff (um dos pianistas mais influentes do Século XX) e, foi de facto genial.
L'opéra imaginaire - Lakmé
Com votos de um excelente fim-de-semana, deixo-vos aqui a minha ária favorita, Dueto das flores, da ópera Lakmé, do compositor francês Clément Philibert Léo Delibes(21 February 1836 – 16 January 1891).
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Um homem é dotado de livre arbítrio e de três maneiras: em primeiro lugar, era livre quando quis esta vida; agora não pode evidentemente rescindi-la, pois ele não é o que a queria outrora, excepto na medida em que completa a sua vontade de outrora, vivendo.
Em segundo lugar, é livre pelo facto de poder escolher o caminho desta vida e a maneira de o percorrer.
Em terceiro lugar, é livre pelo facto de na qualidade daquele que vier a ser de novo um dia, ter a vontade de se deixar ir custe o que custar através da vida e de chegar assim a ele próprio e isso por um caminho que pode sem dúvida escolher, mas que, em todo o caso, forma um labirinto tão complicado que toca nos menores recantos desta vida.
São esses os três aspectos do livre arbítrio que, por se oferecerem todos ao mesmo tempo formam apenas um e de tal modo que não há lugar para um arbítrio, quer seja livre ou servo.
Franz Kafka, in "Meditações"
Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão-pouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.
Jean-Paul Sartre, in 'O Ser e o Nada'
sexta-feira, 16 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Morning Bird
Oiço-te e fazes-me acreditar que a melodia do amor não é utopia,
Desce dos vales do teu riso um beijo e beijo-te demoradamente
A tua boca sabe-me a música e saboreio a melodia expulsando do grande baú o medo.
Beijas-me bem!
Beijos melódicos que sonhei para a minha boca.
quarta-feira, 24 de março de 2010
"À Luz da Sombra" por Lourdes Castro
As sombras sempre me fascinaram, pelas suas projecções, pelo seu sentido metafórico, que muito depende da nossa imaginação. Fico sempre com a sensação que dizem mais do que o representado. Quererão dizer-nos algo?
Mas, quanto a este assunto, quem melhor que Lourdes Castro (artista madeirense, nascida em 1930), para nos mostrar as sombras e as suas possibilidades de materialização.
Para melhor conhecer o seu trabalho, porque não dar um salto ao Museu Serralves?! Eu fui e apreciei bastante!
Esta senhora é um doce, denota-se em todo o seu trabalho uma elevadíssima sensibilidade. Iniciei a exposição com uma gravação datada a 1971, tendo como música de fundo: "Suite n.º 3 para violoncelo de Bach.
Ouve-se, observa-se e fica-se com um sorriso nos lábios.
Fica aqui um pequeno excerto do que ouvi:
“O que me atrai: a sombra não ocupar espaço e guardar a sua presença mesmo desligada do corpo que a projectou.”.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Trilogie de l'amour
Parfum exotique
Quand, les deux yeux fermés, en un soir chaud d'automne,
Je respire l'odeur de ton sein chaleureux,
Je vois se dérouler des rivages heureux
Qu'éblouissent les feux d'un soleil monotone;
Une île paresseuse où la nature donne
Des arbres singuliers et des fruits savoureux;
Des hommes dont le corps est mince et vigoureux,
Et des femmes dont l'oeil par sa franchise étonne.
Guidé par ton odeur vers de charmants climats,
Je vois un port rempli de voiles et de mâts
Encor tout fatigués par la vague marine,
Pendant que le parfum des verts tamariniers,
Qui circule dans l'air et m'enfle la narine,
Se mêle dans mon âme au chant des mariniers.
Charles Baudelaire
Ode à presença divinal
Ah, que indispensabilidade divinal
Em divino êxtase reveladora de extrema sensibilidade
Às horas deste cor.
Ó ser divinal que me faz flutuar,
como alma da vida,
esquecendo o efémero, vivendo o momento
tremulamente sobre as águas eternas.
Observo-te, escuto-te, leio-te, e desperto qualquer coisa.
O êxtase em mim levanta-se, cresce e avança,
Fazendo-me corar as faces.
Quand, les deux yeux fermés, en un soir chaud d'automne,
Je respire l'odeur de ton sein chaleureux,
Je vois se dérouler des rivages heureux
Qu'éblouissent les feux d'un soleil monotone;
Une île paresseuse où la nature donne
Des arbres singuliers et des fruits savoureux;
Des hommes dont le corps est mince et vigoureux,
Et des femmes dont l'oeil par sa franchise étonne.
Guidé par ton odeur vers de charmants climats,
Je vois un port rempli de voiles et de mâts
Encor tout fatigués par la vague marine,
Pendant que le parfum des verts tamariniers,
Qui circule dans l'air et m'enfle la narine,
Se mêle dans mon âme au chant des mariniers.
Charles Baudelaire
Ode à presença divinal
Ah, que indispensabilidade divinal
Em divino êxtase reveladora de extrema sensibilidade
Às horas deste cor.
Ó ser divinal que me faz flutuar,
como alma da vida,
esquecendo o efémero, vivendo o momento
tremulamente sobre as águas eternas.
Observo-te, escuto-te, leio-te, e desperto qualquer coisa.
O êxtase em mim levanta-se, cresce e avança,
Fazendo-me corar as faces.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Green God (o Verde Deus)
Trazia consigo a graça
das fontes quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce
Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos.
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.
Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
a um ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.
E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.
Eugénio de Andrade
(1923-2005)
das fontes quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens quando desce
Andava como quem passa
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos.
cresciam troncos dos braços
quando os erguia no ar.
Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
a um ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.
E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia
duma flauta que tocava.
Eugénio de Andrade
(1923-2005)
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O vento
O vento soprou e roubou-me novamente o sorriso… vagueio pelas ruas sem saber por onde vou… aqui no misérrimo exílio, onde nem exilada estou, habito, fiel sem que queira à minha errância de tanto querer, pela qual sou proscrita. O erro de querer ser a tal folha de Outono, despida de mim… observando a vida, querendo ser igual a todas as outras folhas… que me caem constantemente… no curto tempo que é a mais longa vida…
domingo, 31 de janeiro de 2010
O meu poema favorito de Alexandre O'Neill
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Efemeridades
Tudo é efémero e ainda bem! A palavra “sempre”, sempre me assustou. A necessidade de ter tempo para pensar no próprio tempo inquieta-me. A felicidade, essa, assusta-me. E se fosse eterna?! Nem ouso pensar… são bons e necessários os momentos de tristeza! Deixo sempre nas minhas obras algo que denúncia continuidade. Mas afinal assustar-me-á o ponto final?! Tudo me assusta. Fico escondida em mim, às voltas no meu âmago… no entanto, espreito a vida lá fora, observo escondida, mas atenta... tudo é efémero e ainda bem! Reticências. Só se compreende o compreensível. O infitito universo é-nos incompreensível.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que a minh’alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!
Ó minha vã, inútil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida!...
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade!...
Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!
Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...
Al Berto
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!
Alberto Caeiro
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