terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
"A música é ao mesmo tempo a mais maravilhosa e a mais viva de todas as artes - é a mais abstracta, a mais perfeita, a mais pura - e a mais sensual. Oiço com o meu corpo e é no meu corpo que se desperta o desejo em resposta ao entusiasmo e à emoção incorporado nesta música. É o «eu» físico que sente uma dor insuportável - e depois uma ânsia fátua - quando um mundo inteiro de melodia resplandece e depois cai como uma cascata na segunda parte do primeiro andamento - é carne e osso que morre um pouco cada vez que sou engolida por este anseio do segundo andamento"
Susan Sontag - Renascer
sábado, 2 de outubro de 2010
Robert Schumann's Carnaval, performed by Evgeni Kissin
Tive o privilégio de ouvir pela primeira vez no grande auditório da Fundação e Museu Calouste Gulbenkian - no âmbito do Festival Mozart - o genial, o brilhante, o maravilhoso e o majestoso pianista russo Evgeni Kissin.
Ouvi-lo foi simplesmente apaixonante! Adorei, mesmo!
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Der Himmel Über Berlin
A criança, quando criança,
caminhava de braços caídos,
queria que o ribeiro fosse um rio,
o rio uma torrente e este charco, o mar.
A criança, quando criança,
não sabia que era criança,
tudo para ela tinha alma
e todas as almas eram uma só.
A criança, quando criança,
não tinha opinião sobre nada,
não tinha hábitos,
sentava-se de pernas cruzadas,
de repente desatava a correr,
tinha um remoinho no cabelo
e não fazia caretas
quando era fotografada.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Extrato interessante do livro que estou a ler
Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes últimos serem considerados frívolos, e devo-lhes talvez mais informações do que as que recebi das situações bastante variadas da minha própria vida. A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contrapartida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros.
Mas estes mentem, mesmo os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns, como Lucano, tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros, pelo contrário, como Petrónio, aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia, fácil de receber e de atirar num universo sem peso. Os poetas transportam-nos a um mundo mais vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce que este que nos é dado, por isso mesmo diferente e praticamente quase inabitável. Os filósofos, para poderem estudar a realidade pura, submetem-na quase às mesmas transformações a que o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa alguma de um ser ou de um facto, tal como nós o conhecemos, parece subsistir nesses cristais ou nessas cinzas. Os historiadores apresentam-nos, do passado, sistemas excessivamente completos, séries de causas e efeitos exactos e claros de mais para terem sido alguma vez inteiramente verdadeiros; dispõem de novo esta dócil matéria morta, e eu sei que Alexandre escapará sempre mesmo a Plutarco. Os narradores, os autores de fábulas milésias, não fazem mais, como os carniceiros, que pendurar no açougue pequenos bocados de carne apreciados pelas moscas. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira.
in "Memórias de Adriano" por Marguerite Yourcenar
Mas estes mentem, mesmo os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns, como Lucano, tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros, pelo contrário, como Petrónio, aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia, fácil de receber e de atirar num universo sem peso. Os poetas transportam-nos a um mundo mais vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce que este que nos é dado, por isso mesmo diferente e praticamente quase inabitável. Os filósofos, para poderem estudar a realidade pura, submetem-na quase às mesmas transformações a que o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa alguma de um ser ou de um facto, tal como nós o conhecemos, parece subsistir nesses cristais ou nessas cinzas. Os historiadores apresentam-nos, do passado, sistemas excessivamente completos, séries de causas e efeitos exactos e claros de mais para terem sido alguma vez inteiramente verdadeiros; dispõem de novo esta dócil matéria morta, e eu sei que Alexandre escapará sempre mesmo a Plutarco. Os narradores, os autores de fábulas milésias, não fazem mais, como os carniceiros, que pendurar no açougue pequenos bocados de carne apreciados pelas moscas. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira.
in "Memórias de Adriano" por Marguerite Yourcenar
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Escrita por Ary dos Santos no final de 1972. Música e interpretação de Fernando Tordo. Concorreu ao Festival da RTP de 1973 onde obteve o 1º lugar.
Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Louise Bourgeois (Paris, 25 de Dezembro 1911 - Nova Iorque, 31 de Maio de 2010)
Soube agora, através do Centre Pompidou que a artista plástica franco-americana Louise Bourgeois (autora da aranha "Maman") faleceu esta segunda-feira em Nova Iorque, com 98 anos de idade. Paz à sua alma!
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Ma Cos'è Questa Crisi?
Ora aqui está uma canção muito actual.
Há canções que têm uma magia inerente que nos faz amá-las apaixonadamente logo na primeira audição.
Esta música datada de 1933 trouxe boa sorte ao seu autor e intérprete, Rodolfo de Angelis, também conhecido como um actor, pintor e poeta.
Nestes tempos de incerteza económica extrema e cheia de sinistras perspectivas políticas parece que esta canção "mas que esta crise?" encaixa na perfeição.
post scriptum: "Qualquer coincidência é pura semelhança!"
terça-feira, 18 de maio de 2010
Malena (Monica Bellucci) - Ma l'amore no
Ao recordar o filme "Cinema Paraíso" veio-me à memória, um outro, o "Malena" também de Giuseppe Tornatore e, também lindíssimo.
Música "Ma l'amore no": Lina Termini
Sinopse:
Música "Ma l'amore no": Lina Termini
Sinopse:
Em 1941, em plena II Guerra Mundial, nada acontece na sossegada vila da costa siciliana Castelcuto. Ali vive Renato (Giuseppe Sulfaro), um rapaz de 13 anos que de repente tem sua vida transformada radicalmente por uma descoberta que irá marcá-lo para sempre ... Malena (Monica Bellucci). Com sua beleza avassaladora, Malena é a mais irresistível atracção da pacata vila. Recém chegada no local e sem o marido, cada passeio seu se transforma num espectáculo à parte, que desperta os olhares de cobiça dos homens e os invejosos comentários de suas esposas. Entre seus admiradores está Renato, que transforma o seu desejo numa poderosa fantasia. Por Malena, ele aprende lições de vida e vai a lugares que nunca imaginou.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Ennio Morricone
Muito me alegrou a notícia que li hoje no Público em que Ennio Morricone, compositor italiano foi distinguido com o Prémio Polar, considerado o Nobel na área da música.
Muitos Parabéns!
Quem não se recorda do lindíssimo - e meu favorito - filme "Cinema Paraíso" (1988), de Giuseppe Tornatore?
Para aguçar a vontade de quem não viu o filme, fica aqui, um "piccolo" trecho:
Muitos Parabéns!
Quem não se recorda do lindíssimo - e meu favorito - filme "Cinema Paraíso" (1988), de Giuseppe Tornatore?
Para aguçar a vontade de quem não viu o filme, fica aqui, um "piccolo" trecho:
Icniv ad odranoel
Odranoel ad icniv (51 ed lirba ed 2541 – esiobma, 2 ed oiam ed 9151) iof mu atamílop onailati, amu ads sarugif siam setnatropmi od Otla Otnemicsaner, euq es uocatsed omoc.
Atsitneic, ocitámetam, orienhegng, rotnevni, atsimotana, rotnip, rotlucra, otetiuqra, ocinâtob, ateop e ocisúm.
Odranoel iavercse mébmat ad atieerid arap a a dreueqse, odnes sanepa levíssop a arutiel sod sues sotxet me etnerf a mu ohlepse.
Osac oân abias, aisircopih é o otca ed irgnif ret saçnerc, sedutriv, saiedi e sotnemitnes que a aossep na edadrev oân iussop.
Odnitrap od oipícnirp que oãn em ecehnoc, oãn ares odatipicerp, em-ragluj atircópih? ecehnoC sa sahnim saçnerc, sedutriv, saiedi e sotnemitnes? Oãn em ecerap! Ahnet otnet!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Ophelia de John Everett Millais (1852)
Ophelia é um dos trabalhos mais populares dos Pré-Rafaelistas. A imagem de Millais, da morte trágica de Ophelia, após cair no rio e se afogar, é uma das ilustrações mais conhecidas da peça Hamlet, de Shakespeare.
Serviu de modelo para Ofélia, Elizabeth Siddal (1829-1862) poeta, pintora e musa da Irmandade dos Pré-Rafaelistas.
A pintura está repleta de simbolismo: o salgueiro representa amor sem esperança, as urtigas a dor, as margaridas perto da sua mão a inocência, as violetas no pescoço a fidelidade, a castidade e a morte precoce, a papoilla a morte, as outras flores estão relacionadas com a tristeza e o miosótis na margem para que não seja esquecida…
Ophelia serviu também de fonte de inspiração para o video clip “Where the Wild Roses Bloom” de Nick Cave e Kylie Minogue.
terça-feira, 11 de maio de 2010
"Caritas in veritate"
O título deste post "Caritas in veritate" traduz-se na última encíclica (documento pontifício dirigido aos bispos de todo o mundo, e, por meio deles, a todos os fiéis) escrita pelo sumo pontífice Bento XVI, sobre o desenvolvimento humano na caridade e na verdade.
Em todo o documento, Sua Excelência, o Papa Bento XVI, utiliza frequentemente palavras como: caridade, justiça e bem comum.
A visita de Bento XVI a Portugal, ajudar-nos-á à reflexão?
Que se passa connosco?!
Em todo o percurso que fiz hoje pela manhã apenas ouvia palavras de desagrado, de mediocridade, de ignorância. É certo que considerava Sua Santidade João Paulo II um ser mais carismático, mais simpático, mas custa-me ouvir certos comentários. Considero-me agnóstica mas não me imagino proferir certas palavras que certos seres utilizam. Apenas gosto de me questionar.
Será que as pessoas já não se questionam?
Ontem em todos os canais nacionais, sentia-se uma euforia, apenas porque um clube de futebol tinha ganho um qualquer título.
Que foi feito da Caridade, da bondade, do respeito?! Que se passa connosco?! Seremos assim tão ignorantes?!
Sinceramente, sinto-me envergonhada!
Em todo o documento, Sua Excelência, o Papa Bento XVI, utiliza frequentemente palavras como: caridade, justiça e bem comum.
A visita de Bento XVI a Portugal, ajudar-nos-á à reflexão?
Que se passa connosco?!
Em todo o percurso que fiz hoje pela manhã apenas ouvia palavras de desagrado, de mediocridade, de ignorância. É certo que considerava Sua Santidade João Paulo II um ser mais carismático, mais simpático, mas custa-me ouvir certos comentários. Considero-me agnóstica mas não me imagino proferir certas palavras que certos seres utilizam. Apenas gosto de me questionar.
Será que as pessoas já não se questionam?
Ontem em todos os canais nacionais, sentia-se uma euforia, apenas porque um clube de futebol tinha ganho um qualquer título.
Que foi feito da Caridade, da bondade, do respeito?! Que se passa connosco?! Seremos assim tão ignorantes?!
Sinceramente, sinto-me envergonhada!
sábado, 8 de maio de 2010
Albert Einstein: Deus e o mal
Deus existe! por Albert Einstein
Convite à reflexão sobre os nossos paradigmas.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
170º aniversário de Tchaikovsky
Comemora-se hoje o 170º aniversário do grande Tchaikovsky (1840-1893).
Tchaikovsky foi o primeiro compositor russo a dar a conhecer o seu trabalho ao público dos países estrangeiros. Os laços fortes com a Europa e os Estados Unidos da América era algo incomum para os russos.
Das suas obras destacam-se os bailados “O Lago dos Cisnes”, “A Bela Adormecida” e “O Quebra-Nozes"(vídeo abaixo)”, a ópera “Eugénio Oneguine”, as 4ª, 5ª e 6ª sinfonias, o Concerto nº 1 para Piano e o Concerto para Violino.
Faleceu a 6 de Novembro de 1893 e foi sepultado num dos cemitérios do Mosteiro de Alexander Nevsky (onde estão enterrados Fiódor Dostoiévski, Arthur Rubinstein, entre outros).
Tchaikovsky foi o primeiro compositor russo a dar a conhecer o seu trabalho ao público dos países estrangeiros. Os laços fortes com a Europa e os Estados Unidos da América era algo incomum para os russos.
Das suas obras destacam-se os bailados “O Lago dos Cisnes”, “A Bela Adormecida” e “O Quebra-Nozes"(vídeo abaixo)”, a ópera “Eugénio Oneguine”, as 4ª, 5ª e 6ª sinfonias, o Concerto nº 1 para Piano e o Concerto para Violino.
Faleceu a 6 de Novembro de 1893 e foi sepultado num dos cemitérios do Mosteiro de Alexander Nevsky (onde estão enterrados Fiódor Dostoiévski, Arthur Rubinstein, entre outros).
E Lucevan Le Stelle
Lindíssima ária da ópera Tosca (Act III) de Puccini. Cantada pelo mais célebre casal da ópera contemporânea, a soprano Angela Gheorghiu e o tenor Roberto Alagna. Por saber que a adoras, dedico-ta meu amor.
E lucevan le stelle
ed olezzava la terra.
Stridea l'uscio dell'orto
e un passo sfiorava la rena.
Entrava ella fragrante
mi cadea fra le braccia.
Oh dolci baci, o languide carezze,
mentr'io fremente
le belle forme
disciogliea dai veli.
Svani per sempre
il sogno mio d'amore.
L'ora é fuggita
e muoio disperato,
e muoio disperato.
E non ho amato
mai tanto la vita.
Tanto la vita!
domingo, 2 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Rach 3 - Rachmaninov por David Helfgott
Após uma longa semana de muito trabalho e stress nada como iniciar o fim-de-semana com um bom filme. A escolha foi "Shine - simplesmente genial". O filme retrata a vida do pianista David Helfgott interpretado pelo excelente actor Geoffrey Rush. A cena no filme que mais me impressionou foi quando Helfgott tocou Rach n.º 3 de Rachmaninoff (um dos pianistas mais influentes do Século XX) e, foi de facto genial.
L'opéra imaginaire - Lakmé
Com votos de um excelente fim-de-semana, deixo-vos aqui a minha ária favorita, Dueto das flores, da ópera Lakmé, do compositor francês Clément Philibert Léo Delibes(21 February 1836 – 16 January 1891).
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Um homem é dotado de livre arbítrio e de três maneiras: em primeiro lugar, era livre quando quis esta vida; agora não pode evidentemente rescindi-la, pois ele não é o que a queria outrora, excepto na medida em que completa a sua vontade de outrora, vivendo.
Em segundo lugar, é livre pelo facto de poder escolher o caminho desta vida e a maneira de o percorrer.
Em terceiro lugar, é livre pelo facto de na qualidade daquele que vier a ser de novo um dia, ter a vontade de se deixar ir custe o que custar através da vida e de chegar assim a ele próprio e isso por um caminho que pode sem dúvida escolher, mas que, em todo o caso, forma um labirinto tão complicado que toca nos menores recantos desta vida.
São esses os três aspectos do livre arbítrio que, por se oferecerem todos ao mesmo tempo formam apenas um e de tal modo que não há lugar para um arbítrio, quer seja livre ou servo.
Franz Kafka, in "Meditações"
Subscrever:
Mensagens (Atom)






