Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
domingo, 31 de janeiro de 2010
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Efemeridades
Tudo é efémero e ainda bem! A palavra “sempre”, sempre me assustou. A necessidade de ter tempo para pensar no próprio tempo inquieta-me. A felicidade, essa, assusta-me. E se fosse eterna?! Nem ouso pensar… são bons e necessários os momentos de tristeza! Deixo sempre nas minhas obras algo que denúncia continuidade. Mas afinal assustar-me-á o ponto final?! Tudo me assusta. Fico escondida em mim, às voltas no meu âmago… no entanto, espreito a vida lá fora, observo escondida, mas atenta... tudo é efémero e ainda bem! Reticências. Só se compreende o compreensível. O infitito universo é-nos incompreensível.
sábado, 12 de dezembro de 2009
Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que a minh’alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!
Ó minha vã, inútil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida!...
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade!...
Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!
Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...
Al Berto
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!
Alberto Caeiro
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Nada é por acaso! As pessoas que conhecemos, nos momentos em que as conhecemos, e nas circunstâncias que as conhecemos.
Almoçávamos hoje no Psi e conversávamos sobre temas da actualidade, viagens e nas conferências que dera. Que bem me soube receber o sol no rosto, aquela tranquilidade que aquele espaço me consegue transmitir. De facto aquele homem percebeu a essência do meu ser. Foi a única pessoa que percebeu que algo de mau de passava comigo há uns meses atrás. Desde então parece ter uma necessidade de me proteger. Sinto-o como um tutor. Dizia-me: "Trouxe-lhe algo que irá gostar, é a sua cara!”. Para além de um livro, gravou-me um cd com poesia declamada por João Villaret.
Assim que entro no carro, coloco o cd e obrigatoriamente elevo-me para outros campos. A perspicácia, inteligência e a sensibilidade de algumas pessoas pura e simplesmente fascinam-me. Como é que alguém que fala comigo de forma tão formal percebe a minha sensibilidade? Acho fantástico! Aprecio cada momento, bebo palavra a palavra com toda a sabedoria que me quer transmitir.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Agostinho da Silva (1906-1994)
Genial! Grande filósofo, este homem encanta-me, fascina-me!
De facto, morreu um lindíssimo poema!
"O espírito da liberdade"
Sonata n.º 14 para piano, "Ao luar", foi dedicada a uma aluna, por quem o compositor estava apaixonado. Sobre um acompanhamento límpido, eleva-se um tema calmo, mas resoluto. Dentro da atmosfera meditativa com que tinha começado, relembrando a atitude de amarga doçura com que Beethoven parece aceitar o seu destino, o andamento termina num delicado movimento que se eleva e volta a descer.
Dedico esta sonata a todos os apaixonados.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Viagem de uma lágrima
Fecha os olhos! Viaja comigo!
Escuta! Que ouves? Segue a minha voz!
Caminho devagar, sem pressa... oiço os meus passos.. lá fora chove...As nuvens, essas, trouxeram lágrimas. Degusto uma a uma, têm cheiro, têm cores várias, têm música, têm sabor a ti...
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Penso Pessoa e pinto.
Leio-te, compreendo-te. Identifico-me. Estás em mim muito presente.
Meu caro Fernando Nogueira Pessoa, as próximas pinturas irão ser dedicadas a ti.
Obrigada!
Meu caro Fernando Nogueira Pessoa, as próximas pinturas irão ser dedicadas a ti.
Obrigada!
Tempo é mudança
A inércia deu lugar à vontade de mudar. A atitude apática à minha vontade - ou a falta dela -, mata-me, frustra-me. O tempo passa e a vontade, essa, infelizmente também. Fica o desapontamento.
Já dizia Walter Kaufmann, in "O tempo é um Artista" mas noutro sentido, ... «o tempo é a dimensão da mudança. Sem percepção da mudança, não há e não pode haver percepção do tempo. Essas diferentes atitudes para com o tempo são corolários de diferentes atitudes para com a mudança (...) Vive-se bem a vida em camaradagem com o tempo, vendo-o como ele é, respeitando as suas obras, inclusive a decadência e a morte, com o passado e com a história. A restauração é uma autodecepção e frequentemente um crime. (...) O tempo é frequentemente destrutivo - como o são os escultores quando trabalham um bloco de pedra. Mas velhos rostos podem ser mais expressivos que rostos jovens, velhas paredes e esculturas mais ricas que as novas.».
Estou a envelhecer. Não há tempo. As horas são escassas. Preciso respirar. VIVER. Sim, quero viver! Pintar faz-me sentir viva. Houve um enorme interregno, tempo demais, e a vontade, essa, não pode ser ignorada. Pinto como se escrevesse. Crio. Metamorfoseio-me. Metamorfoseio-vos.
Estou cheia de vontade. Vamos a isso!
Obrigada "Extreme"!
Estou cheia de vontade. Vamos a isso!
Obrigada "Extreme"!
domingo, 22 de novembro de 2009
Noites escuras
Observo as horas, são 4:46, sinto o peso da noite escura. Acompanham-me as insónias. Silêncio. Apenas fica o som do que penso. Revejo assustada a vida lá fora. Estou num dia em que tudo me pesa. Apetece-me fugir, apetece-me gritar. Porém, o silêncio, esse, grita mais que qualquer som e pede o favor de ser ouvido...Tanto conhecimento sardónico de sensações prováveis... lutei grandemente contra o pensamento de ir ao teu encontro... que fazer?... a felicidade, essa, foge-me!
Deixa-la ir!
deus é bom mas o diabo também não é mau
Não é natural que a vida me traga outro encontro com as emoções naturais. Quase desejo que apareça para ver como me sinto dessa segunda vez, depois de ter atravessado toda a extensa análise da primeira experiência. É possivel que sinta menos; é também possível que sinta mais. Se o destino o der, que o dê. Sobre as emoções tenho curiosidade. Sobre os factos, quaisquer que venham a ser, não tenho curiosidade alguma.
Bernardo Soares - O Livro do Desassossego
terça-feira, 10 de novembro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
draft
Caro Dr. Olivar Sacks que se passa com este mundo? que se passa comigo? Tenho medo! estarei a tornar-me num Nathaniel Ayers?
Palavras, palavras, palavras, desmesura de palavras sem sentido, verdadeiras diarreias mentais. Os convencidos da vida, opinam sobre tudo, têm teorias sobre tudo, convencidos da sua excelência, ouvem-se, falam, falam, falam, falam... a auto-estrada está cada vez mais perigosa, nem dão conta, atropelam-se sistematicamente, são uns verdadeiros autistas, tenho de sair dali.... a minha cela é o sítio mais seguro... de vez em quando, lá vêm eles,... os convencidos da vida, querendo invadir-me, querendo sentirem-se presos a mim, à minha cela, sabem lá o que querem,... a estadia não é para todos ... a cela é minha, foda-se... também querem invadir aquilo que supostamente é mau??? falam, falam, falam, falam, sem terem consciência do que estão a provocar,… já não oiço nada, não me interessa, oh, estimado Hermann Hesse, estimado companheiro de viagem, só tu sabes o que me vai na alma…
Palavras, palavras, palavras, desmesura de palavras sem sentido, verdadeiras diarreias mentais. Os convencidos da vida, opinam sobre tudo, têm teorias sobre tudo, convencidos da sua excelência, ouvem-se, falam, falam, falam, falam... a auto-estrada está cada vez mais perigosa, nem dão conta, atropelam-se sistematicamente, são uns verdadeiros autistas, tenho de sair dali.... a minha cela é o sítio mais seguro... de vez em quando, lá vêm eles,... os convencidos da vida, querendo invadir-me, querendo sentirem-se presos a mim, à minha cela, sabem lá o que querem,... a estadia não é para todos ... a cela é minha, foda-se... também querem invadir aquilo que supostamente é mau??? falam, falam, falam, falam, sem terem consciência do que estão a provocar,… já não oiço nada, não me interessa, oh, estimado Hermann Hesse, estimado companheiro de viagem, só tu sabes o que me vai na alma…
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Sonho curioso
Hoje sonhei que estava presa, literalmente presa, encontrava-me numa daquelas prisões antigas, com segurança máxima, tal qual, como no romance de Alexandre Dumas em "O Conde de Monte Cristo". E, pior, senti que já lá estava há pelo menos 4 anos. Vai-se lá perceber porquê. A nossa mente, é realmente fantástica! Comigo havia alguém, sem forma, nem rosto, e era com esse alguém que conversava. Dizia-lhe: " - Sinto-me livre"... esta afirmação, é no minimo curiosa e incongruente, como é que alguém estando preso pode sentir-se livre? ... ainda em análise...
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Lisa Ekdahl - Sings Salvadore Poe - UMA HISTÓRIA DE AMOR
Existem músicas que ficam para sempre na nossa caixinha mágica. Esta é sem dúvida uma delas. Ouvimo-la vezes sem conta. Assim como tu, é delicada e doce. Quando a oiço, fecho os olhos, e relembro o dia em que nos conhecemos. Sorrio. E sinto uma nostalgia sem fim.
Já lá vão nove anos. Na altura morava num “Águas Furtadas” no bairro de Santa Catarina, com dois amigos. O apartamento era antigo, daqueles com histórias impregnadas nas paredes. Vivia-se um ambiente muito tranquilo. No meu quarto havia uma escrivaninha. E era lá que passava grande parte do meu tempo. Na altura estudava para o exame de Psicologia.
Certo dia, numa tarde, final de verão, oiço o telefone tocar. Era N. a convidar-me para um café na esplanada do miradouro. Recusei. Motivo: estudar. Ele insiste. Diz-me que está contigo. Fui, sem mais nem porquês, fui. Sinto os teus olhos, escondidos pelos óculos, observam-me, intrigados, possivelmente com a figura. Na altura ainda mais alternativa que hoje.
Sorrio… foi ali mesmo, sob a barba esquálida do Adamastor (escultura de Júlio Vaz Júnior) que se deu inicio a um amor que nunca pensei que fosse possível viver. Hoje, mais madura que ontem, sinto-me feliz. Porque hoje, sei que fui uma privilegiada.
Obrigada.
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