segunda-feira, 18 de maio de 2009

Feira do livro - Lisboa 2009

Ontem, fui à feira do livro, e, como boa portuguesa que sou, fui no último dia!!!

Levei comigo um post-it com os livros que queria comprar (Reencontro de Agostinho da Silva de José Flórido e Gandhi - Poder, Parceria e Resistência de Varma Ravindra), no post-it para além do título, continha a referência, a editora, e o respectivo stand, ... para quem me conhece sabe que tenho "fobia" a multidões, o que me cria uma certa ansiedade... ficando com uma enorme vontade de fugir... Quando lá cheguei, fiquei muito agradada, não havia confusão, nem muito ruído, nem crianças com birras,... comecei na praça Leya, e por ali fiquei, ao som da música do Jack Johnson,... senti-me tranquila,... foi muito agradável... enfim...

...acabei por comprar os seguintes livros:

- Lições do Abismo de Daniel Sampaio
Género: Não-ficção/Psicologia/Psiquiatria;

- O Jogo das Contas de Vidro de Hermann Hesse
Género: Romance.

- Verdade ao Amanhecer de Ernest Hemingway;
Género: Romance.

- Como Tornar-se um Doente Mental de José Pio Abreu;
José Luis Pio Abreu, Psiquiatra do Hospital da Universidade de Coimbra

- Os Dez Mandamentos no Séc. XXI de Fernando Savater;

- Sinais do Medo de Ana Zanatti.

sábado, 14 de março de 2009

Chuang Tzu

O objetivo de uma armadilha de peixes é "caçar" peixes; quando estes caem na armadilha, esta é esquecida.
O objetivo de uma armadilha para coelhos é "caçar" coelhos; quando estes são agarrados, esquece-se a armadilha.
O objetivo das palavras é transmitir as idéias. Quando estas são apreendidas, as palavras são esquecidas.
Onde poderei encontrar alguém que se esqueceu das palavras? É com ele que gostaria de conversar.

quinta-feira, 5 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

sossega-me

sossega-me,...
como poderei eu partir? se te sinto em mim...
sinto-me a deambular, ... vagueando nos teus olhos, procuro-te
onde estás?...
vem,... para perto de mim
sossega-me,...
conto-te estórias ao ouvido, tu sorris...
que desassossego,
vagueio pelo teu corpo, ... sensações orgásmicas...
sossega-me nas madrugadas...
ai, ai, ai

"O coração, se pudesse pensar, pararia."


"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelida a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."

Translucidez, Nudez e Desacorde


Translucidez Lúcido como o fio de uma navalha
atravesso a rua no instante exato.
A vida em volta me atordoa.
Esta correria, este zumbido, este medo – é isto a vida?
Lúcido, me perco,reparto-me em calçadas, andares, repartições, sobrelojas,
me esqueço, deixo de ser-me: sou todos, nada.
Lúcido — como suportar?
A vida em volta me atordoa, me machuca, me mastiga, …


Otto Leopoldo Winck

terça-feira, 3 de março de 2009

fingir que está tudo bem

fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

josé luís peixoto

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"Reencontro" 19 de Fevereiro de 2009

Nas viagens de muitas vidas, ganham-se experiências e aprendizagem do amor;
perdem-se, temporariamente, presenças amigas.

A vida é eterna...

Noites e dias sucedendo-se pelo infinito...

Certas dores existenciais indefinidas... consequências de afastamentos de amor, afastamentos de tempo equivalente a uma ou mais vidas, parecendo, por isso, eternos... ainda que temporários.

Uma força de energia interior inexplicável revela amizade, de tempo remoto, reencontrada;
emoção indefinida, quase ilógica, mas tão forte, feito o mar banhando as rochas, com energia, suavidade e inconsciência, sob cor dourada, de inteira beleza, criada pelo sol ao entardecer.

Uma certeza íntima inteligível, a prova de um "reencontro", sensação opondo-se à razão, mas impondo-se feito raios solares, que a despeito da noite, invade-nos com inteira alegria reluzente, num renascer em límpida manhã de vida.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Outras feridas


traços de répteis incandescentes pelas dunas, hastes quebradas, excrementos geométricos sinalizando com rigor apertados caminhos
areias de cor indecisa
são bons estes lugares de cinza, para a solidão insuspeita dos pássaros

da boca das areias desmoroando-se irrompem
fosforosos bichos, adocicados corpos, um rosto de fogo encima o leite vagaroso das nuvens
depois, ouvem-se os nomes dos barcos
e do vento uma voz explode, fende, desfaz a tempestade
teu corpo acalma por cima do misterioso espelho

mão na mão, percorremos todas as águas
conhecemos os domínios húmidos dos monstros marinhos
e a loucura dos peixes cegos, que deu nome ao nosso amor e às cidades costeiras
outras feridas alastram subitamente no fulcro da memória
outras noites atravessam-se
semeiam pelo corpo flores e pânico
falo com os barcos postos-a-seco, das salivas marinhas cresce uma quilha enfurecida
a escrita é um marulhar incessante
imito a paisagem como se te imitasse, ou se te escrevesse

teu corpo dilui-se nos ossos da página, contamina as cartilagens das sílabas
resta-me o fingimento sibilante das palavras
caminho pelo interior das dunas, aago o rasto de tinta acetinada, sou terra num texto onde não encontro água
só noite e um rumor imperceptível no coração
mais nada


Al Berto - O Medo

Não, não é cansaço...


Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se descobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.


Álvaro de Campos - Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Franz Kafka vs Praga

"Praga não vai largar-nos. Nem a mim nem a ti. Esta mãezinha tem as suas garras afiadas. É preciso sujeitarmo-nos senão... Devíamos lançar fogo aos seus dois extremos, o Vysehrad e o Hradsechin, e talvez pudéssemos então partir. Pensa nisso daqui até ao Carnaval."

Franz Kafka,

20 de Dezembro de 1902, carta a Oskar Pollak.

A Metamorfose, O Processo, A Colónia Penal, O Castelo... Os escritos de Kafka referem-se a um mundo em que a liberdade se pagava a alto preço. Que é feito desse mundo? Da Praga dos anos de 1910-1921, checa, alemã, judaica, que a pouco e pouco se foi libertando de quatro séculos de dominação austríaca? Quem, entre gente de carne e osso e génios literários, terá instilado em Kakfa aquela trágica coerência que caracteriza a sua obra? Ele foi, sucessivamente, Georg Bendemann, Gregor Samsa, Josef K. e K., o Agrimessor, incorporando-se em cada uma das suas personagens, em contante mutação, sem jamais deixar de ser igual a si mesmo.

domingo, 4 de novembro de 2007

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

PÂNICO/ ANGUSTIA


Este quadro de Munch ( o grito) descreve bem o meu estado de alma.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

A minha querida Canela

Tanta coisa há a dizer sobre este lindo animal. Uma cadela linda, extraordinária, excelente companhia, sempre presente nos bons e maus momentos,... coitada não pode fugir!!!...
Adquiri-a, já lá vão cinco anos, com apenas 3 semanas, ... com o intuito de tranquilizar o coração de alguém muito especial, que se encontrava com depressão, uma tristeza que assolava o nosso lar. E, agora sou eu quem mais precisa dela. A minha terapia. Obrigada canela, por tudo, podes não falar, mas sei que estás comigo, e isso, tranquiliza-me.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

SNBA - A tela inacabada: INSÓNIAS

Insónias. A culpa é das insónias, as teimosas não me largam!!! Duas semanas antes da exposição não meti os pés na SNBA. Motivo: insónias. Andava exausta, completamente zombie, sentia-me a enlouquecer. Aliás ando exausta à demasiado tempo. Nem sei muito bem porquê, ou melhor, sei mas nem quero pensar nisso... mas isso é outro assunto, que agora não vem ao caso....Continuando...., uma semana antes da exposição, dia 26 de Junho, finalmente apareci nas aulas, determinada a terminar a tela, quando lá cheguei, estavam todos sentados em círculo à volta do prof., esta seria a última aula.
Esta é a tela, a tal, a inacabada. Se a tivesse terminado, possívelmente estaria a esta hora na exposta no salão da SNBA.

SNBA - A inauguração da exposição


O José Palmeiro, estava desolado, apesar de nao admitir, reparei que não ficou muito bem. Não o censuro. Acompanhei todo o trabalho dele durante o ano lectivo, nem queria acreditar, não havia nenhum apontamento dele na exposição. Nada. Zero.Tinha trabalhos excelentes, na minha opinião, que vale o que vale, a opinião não era só minha, era partilhada por muitos colegas da turma e até pelos próprios professores (Jaime Silva e Nelson). O que é de estranhar, os trabalhos sempre foram elogiados nas aulas e para além disso era extremamente assíduo. Sinceramente não percebi.
Amigo Palmeiro, dedico-te esta publicação.

SNBA - Trabalho escolhido para e exposição que inaugurou no dia 3 de Julho de 2007


SNBA - Trabalho escolhido para e exposição que inaugurou no dia 3 de Julho de 2007


domingo, 1 de julho de 2007

Sei que estás a sofrer

Sei que estás a sofrer, mas eu também, e muito. Não consigo viver contigo, mas também não consigo viver sem ti.